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MagicShot Gaming Festival e o Futuro dos Esports

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·MagicShot Gaming Festival e o Futuro dos Esports

Nos dias 30 e 31 de março, estivemos presentes em Moscavide, na primeira edição do MagicShot Gaming Festival.

Como o nome indica, este Festival foi todo ele feito à volta do gaming. Havia lojas onde comprar todo o tipo de merchandising virado para a cultura de gaming e geek, zonas dedicadas às consolas Nintendo, Playstation e X-Box, e, claro, espaços dedicados à realidade virtual. Havia também espaços dedicados ao cosplay e a Star Wars.

O que mais me impressionou, no entanto, foi a importância atual dos esports. Em primeiro lugar, o omnipresente Fortnite que atraiu muita gente ao recinto. Mal as portas do recinto abriram, foram várias as pessoas que foram a correr inscrever-se no Battle Royale. Obviamente que os prémios terão ajudado a que houvesse interesse acrescido, mas foi espantoso ver equipas de jovens organizados e rapazes tão novos a competirem por (e a ganharem) prémios.

Mais do que jogar, foi para mim inesperado ver tanta gente simplesmente a querer ver o que estava a acontecer no jogo. E com razão: os olhos, mesmo de quem não tinha interesse no jogo ou em saber quem ia ganhar, fixavam-se imediatamente no ecrã gigante para ver o que iria acontecer a seguir.

Isto aconteceu também com o evento principal no segundo dia do Festival. Quatro equipas de esports, que se tinham qualificado para a competição, digladiaram-se no Counter Strike: Global Offensive (CSGO) em duas meias-finais em assaltos sucessivos.

Os relatos dos jogos que estavam a decorrer no palco principal faziam lembrar os grandes comentários radiofónicos de jogos de futebol, com descrições intensas e repentinas nos momentos decisivos dos jogos. A final, em particular, teve direito a efeitos especiais e a uma plateia completamente absorta no que estava a acontecer. No final, ganharam os Panthers – equipa que tem sede em Odivelas e levou a sua mascote para o recinto. Infelizmente, anunciaram também, alguns dias antes, que iam encerrar a sua secção de CSGO por falta de patrocinadores.

Estas equipas, que imagino serem apenas semi-profissionais, tinham as suas próprias bancas no Pavilhão do Oriente no concelho de Loures. Nos seus stands vendiam merchandising próprio e organizavam torneios de vários jogos. Esta interatividade rápida é algo que denota o crescimento dos esports para um patamar muito perto dos desportos tradicionais.

Hoje, já há ídolos nos esports: as suas camisolas são compradas e os seus jogos seguidos por fãs incondicionais, exatamente como no futebol. Cá em Portugal, ainda não ao nível do que acontece, por exemplo, na Coreia do Sul, em que estádios ficam completamente lotados a ver equipas a jogarem umas contra as outras. Mas esse é o caminho inevitável dos esports.

Alguns poderão dizer que jogar videojogos não é um desporto. Mas, seja desporto ou algo lateral, o que é indiscutível é que estes jogadores treinam diariamente para conquistar prémios cada vez maiores. Esta forma de entretenimento começa a arrastar milhares ou mesmo dezenas de milhar de pessoas apenas para verem outras a jogarem.

A realidade virtual segue o mesmo caminho. Já existe uma VR League que está atualmente na sua terceira temporada. Ainda não arrasta tanta gente, mas será uma questão de tempo. Os prémios começam a ficar suficientemente atrativos para atrair mais gente para esta modalidade que tem patrocinadores importantes capazes de dar o impulso necessário para o seu crescimento.

A maior dificuldade será o custo de entrada, já que o equipamento de realidade virtual e o computador que exige continuam a ser caros, mas a própria indústria de RV caminha para uma baixa de preços e, de forma crucial, para a não necessidade de computadores exteriores, usando equipamento autónomo.

É pouco provável que, em 2020, na próxima edição do MagicShot Gaming Festival, já haja algum tipo de competição de realidade virtual. O investimento necessário, com pouco público ainda interessado na matéria, torna difícil haver jogadores suficientes para que aconteça. No entanto, tendo em conta o crescimento acelerado da indústria, 2021 poderá ser o ano em que a realidade virtual se junta aos esports em força no nosso país.

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